Cenários
Se as contas públicas continuarem se comportando como hoje, aonde a dívida vai? E o que precisaria mudar — no gasto, na receita, nos juros ou no crescimento — para ela parar de subir?
Perímetro desta página: Governo Geral — União, INSS, estados e municípios —, medido pela Dívida Bruta do Governo Geral em percentual do PIB, como o Banco Central publica. É um perímetro mais largo que o “Governo Federal” da aba Resultado e que o “Governo Central” da aba Receitas e Despesas. O trecho projetado desta página é uma simulação com as hipóteses que estão na tela, não uma previsão — o painel não publica cenário próprio nem número esperado, e toda trajetória exibida é a consequência aritmética de parâmetros que você pode editar. O histórico, até junho de 2026, é dado oficial realizado.
Tudo nesta página sai de uma conta só, aplicada ano a ano:
d(t) = d(t−1) − sp(t) + [(i − g) / (1 + g)] · d(t−1)
Em português: a dívida do ano passado, menos o superávit primário que o governo fizer, mais o que ela cresce sozinha quando o juro real (i) supera o crescimento da economia (g). É desse último termo que vem a expressão r − g do noticiário — e é ele que explica por que uma dívida grande sobe mesmo quando o governo não gasta um centavo a mais.
Aonde cada caminho leva?
cálculo próprio- realizado — metodologia anterior
- realizado — metodologia vigente
- Fiscalista
- Ajuste Pontual
- Expansionista
O que este gráfico diz: Partindo de 81,9% do PIB em junho de 2026, no cenário Ajuste Pontual a dívida sobe até 86,1% em 2041. A dívida sobe mais um pouco e depois se acomoda num patamar mais alto.
Histórico: Banco Central, séries SGS 4537 (até dezembro de 2006) e 13762 (de dezembro de 2006 em diante). O degrau de -9,1 p.p. no fim de 2006 é mudança de metodologia, não de dívida: a série anterior inclui Petrobras e Eletrobras no perímetro e continua sendo publicada em paralelo — as duas não são emendadas nem encadeadas. O trecho tracejado é simulação com as hipóteses do bloco seguinte, não previsão; cada ponto projetado é o mesmo mês da data-base (junho de 2026) do ano indicado.
Ver os dados em tabela (15 linhas)
| Ano | Fiscalista | Ajuste Pontual | Expansionista | Seu ajuste |
|---|---|---|---|---|
| 2027 | 79,0% | 83,0% | 85,4% | — |
| 2028 | 75,9% | 84,5% | 89,5% | — |
| 2029 | 73,0% | 85,5% | 94,5% | — |
| 2030 | 70,0% | 86,0% | 100,2% | — |
| 2031 | 70,0% | 86,0% | 106,7% | — |
| 2032 | 70,0% | 86,0% | 113,5% | — |
| 2033 | 70,0% | 86,0% | 120,7% | — |
| 2034 | 70,0% | 86,0% | 128,3% | — |
| 2035 | 70,0% | 86,0% | 136,2% | — |
| 2036 | 70,0% | 86,0% | 144,5% | — |
| 2037 | 70,0% | 86,0% | 153,2% | — |
| 2038 | 70,0% | 86,0% | 162,4% | — |
| 2039 | 70,0% | 86,1% | 172,0% | — |
| 2040 | 70,0% | 86,1% | 182,1% | — |
| 2041 | 70,1% | 86,1% | 192,7% | — |
O que cada cenário assume?
Fiscalista
o ajuste chega rápido e se sustenta — a dívida cai e para de cair no lugar novo
| ano | 1 | 2 | 3 | 4 | 5+ |
|---|---|---|---|---|---|
| sp | |||||
| i | |||||
| g | |||||
| π |
Ajuste Pontual
a dívida sobe mais um pouco e depois se acomoda num patamar mais alto
| ano | 1 | 2 | 3 | 4 | 5+ |
|---|---|---|---|---|---|
| sp | |||||
| i | |||||
| g | |||||
| π |
Expansionista
déficits primários permanentes e juro real subindo — a dívida não encontra teto
| ano | 1 | 2 | 3 | 4 | 5+ |
|---|---|---|---|---|---|
| sp | |||||
| i | |||||
| g | |||||
| π |
O que este gráfico diz: Cada cenário é um conjunto de quatro hipóteses por ano — primário, juro real, crescimento e inflação — mais uma perpetuidade que vale do quinto ano em diante. Nenhum deles é o mais provável: são exercícios com racional documentado em Sobre. Edite qualquer célula e tudo nesta página se recalcula na hora.
As edições valem só nesta visita: não há gravação em disco nem no endereço da página, então recarregar restaura os presets. A trajetória em percentual do PIB depende apenas de primário, juro real e crescimento — a inflação entra no resultado nominal e nas conversões para reais.
O que estabilizaria a dívida?
cálculo próprioFiscalista
70,1%
do PIB em 2041 · −11,9 p.p. vs. hoje
Para parar de subir já no ano que vem: primário de 3,21% do PIB ou crescimento de -1,4% ao ano.
Crescimento estabilizador negativo: até uma recessão manteria a dívida em queda — o ajuste é folgado.
Ajuste Pontual
86,1%
do PIB em 2041 · +4,1 p.p. vs. hoje
Para parar de subir já no ano que vem: primário de 3,37% do PIB ou crescimento de 3,3% ao ano.
É um crescimento alto, mas dentro do que economias emergentes já sustentaram por alguns anos.
Expansionista
192,7%
do PIB em 2041 · +110,7 p.p. vs. hoje
Para parar de subir já no ano que vem: primário de 3,12% do PIB ou crescimento de 6,7% ao ano.
Nenhuma economia madura cresce isso de forma sustentada: neste cenário, crescimento sozinho não resolve.
O que este gráfico diz: Uma dívida para de subir quando o superávit primário iguala o custo de carregá-la. Existem dois caminhos para chegar lá, e eles são as duas faces da mesma conta: fazer mais primário, ou crescer mais. Os cartões abaixo mostram, para cada cenário, quanto de cada um seria preciso já no primeiro ano.
Cálculo próprio a partir de sp* = [(i − g)/(1 + g)] · d e g* = (i·d − sp)/(d + sp), com as fórmulas por extenso em Sobre. Um crescimento estabilizador é tratado como implausível acima de 3,5% ao ano — nenhuma economia madura sustenta isso por uma década — e como folga quando é negativo, caso em que até uma recessão manteria a dívida em queda.
Monte seu ajuste
cálculo próprio- realizado hoje (Governo Central, 12m até maio de 2026)
- -1,06%
- só para a dívida parar de subir no ano 1 (sp*)
- 3,37%
- o que o cenário Ajuste Pontual supõe no ano 1
- 2,31%
- seu ajuste
- +0,00 p.p.
primário efetivo, ano 1
2,31%
juros nominais, ano 1
-8,44%
resultado nominal, ano 1
-6,13%
Os juros saem da dívida do ano anterior, não de um controle solto: é por isso que melhorar o primário derruba a dívida, e a dívida menor derruba a conta de juros — o resultado nominal melhora mais do que o primário.
O que este gráfico diz: Mexa nos cinco controles para montar um ajuste e ver o primário — e a dívida — responderem. Hoje o Governo Central fecha em -1,06% do PIB; só para a dívida parar de subir no primeiro ano seriam necessários 3,37%; e o cenário Ajuste Pontual supõe 2,31%. A distância entre esses três números é o tamanho do problema.
Baseline: Resultado do Tesouro Nacional, acumulado em doze meses até maio de 2026, perímetro Governo Central. Os controles aplicam uma variação sobre o primário do cenário, constante do primeiro ano em diante — não substituem o nível. Trabalhar em variação é o que permite usar rubricas do Governo Central sobre uma dívida do Governo Geral sem fingir que os perímetros coincidem: o exercício supõe que o ajuste inteiro é feito no Governo Central, que responde pela quase totalidade do primário do governo geral, e que estados e municípios seguem o cenário base. Nenhum controle é travado — ver as notas de rigidez de cada rubrica.
E o que isso tem a ver com o resto do painel?
A dívida daqui não é a dívida da aba Estoque. Ali está a Dívida Pública Federal — o estoque de títulos que o Tesouro emite, em reais. Aqui está a dívida bruta de todo o governo geral, em percentual do PIB, que inclui estados, municípios e o INSS e é medida por outro critério. Uma não é a outra em unidade diferente: são recortes distintos, e por isso este painel nunca põe as duas no mesmo gráfico. Para o estoque em reais, veja Estoque.
O primário da simulação é primo do que já foi realizado. O sp que você edita aqui é a mesma grandeza que a aba Resultado mostra realizada no perímetro do Governo Federal, e que Receitas e Despesas decompõe em rubricas no perímetro do Governo Central — cada um no seu recorte.
Os juros da simulação não são um botão. Eles saem da dívida do ano anterior, exatamente como no mundo real: é o mecanismo que a aba Conexão mostra no realizado, quando compara o custo médio da dívida velha com o custo marginal da dívida nova.
De onde vem o juro real implícito. É a razão entre a conta de juros e o estoque da dívida, descontada a inflação. Este painel não publica essa série — o i que você vê aqui é hipótese do cenário, não medição, e é por isso que ele está num campo editável em vez de um número fixo.