Fontes e metodologia
Tudo aqui vem de arquivos públicos do Tesouro Nacional, processados por um pipeline aberto. Esta página existe para que qualquer número mostrado no painel possa ser rastreado até sua origem — e para deixar explícito onde há cálculo próprio.
Última atualização
Dados processados em 08/08/2026. Cobertura de cada série:
- estoque:janeiro de 2007 até junho de 2026
- composicao:setembro de 2017 até junho de 2026
- emissoes resgates:novembro de 2006 até junho de 2026
- pib:fevereiro de 1990 até junho de 2026
- resultado bcb:janeiro de 1999 até junho de 2026
- rtn resultado:janeiro de 1997 até maio de 2026
- dbgg:janeiro de 2002 até junho de 2026
- leiloes:04/01/2000 até 04/08/2026
As séries começam em datas diferentes porque as fontes começam em datas diferentes. Nenhum dado foi reconstruído para trás.
Fontes
O hash identifica exatamente qual versão de cada arquivo gerou os números exibidos. Se o Tesouro republicar um arquivo com retificações, o hash muda e a diferença fica registrada.
Baixar os dados
Todas as tabelas que alimentam o painel estão disponíveis em CSV, completas — sem o corte que as tabelas dentro das páginas aplicam para não pesar no celular. Separador vírgula, codificação UTF-8, datas em ISO (AAAA-MM-DD) e valores em reais, sem formatação.
- divida_estoque.csv702 linhas
- divida_composicao.csv530 linhas
- divida_vencimentos.csv52 linhas
- divida_prazo_medio.csv318 linhas
- divida_fatores_variacao.csv1.170 linhas
- divida_emissoes_resgates.csv236 linhas
- pib.csv437 linhas
- leiloes.csv19.709 linhas
- resultado_bcb.csv330 linhas
- rtn_resultado.csv2.824 linhas
- dbgg.csv295 linhas
As mesmas tabelas em Parquet estão versionadas no repositório, em data/parquet/, junto com o script que as gera — de modo que qualquer número aqui pode ser reproduzido do zero a partir das fontes oficiais.
Recorte: o que entra e o que fica de fora
O arquivo de estoque publica posições de duas carteiras: Mercado e Banco Central. A Dívida Pública Federal corresponde à carteira Mercado — a do Banco Central, cerca de um quarto do arquivo, fica fora. Essa leitura não é suposição: no mês mais recente, a soma da carteira Mercado reproduz exatamente os totais de DPMFi e DPFe publicados no anexo de Fatores de Variação. O pipeline confere essa igualdade em todos os meses em comum e interrompe o processamento se algum divergir mais de 0,5%.
Resultado fiscal: perímetros, sinal e % do PIB
As duas abas de resultado usam fontes diferentes porque medem agregados diferentes. Elas não são somadas nem comparadas linha a linha, e cada página declara o seu perímetro no topo.
| Aba | Perímetro | Fonte | Apuração |
|---|---|---|---|
| Resultado | Governo Federal | Banco Central — SGS 4640, 4607 e 4574 | abaixo da linha |
| Receitas e Despesas | Governo Central | Tesouro — RTN, Série Histórica, tabelas 1.1 e 1.1-A | acima da linha |
Inversão do sinal das séries do Banco Central
O Banco Central publica essas séries como necessidade de financiamento: número positivo significa déficit. Conferido em janeiro de 2026, no sinal original: primário −87.340,80, juros +77.623,81 e nominal −9.716,99, de modo que nominal = primário + juros.
O painel grava as duas séries de resultado com o sinal invertido, adotando a convenção em que positivo é superávit — que é como a pergunta “fechou no azul ou no vermelho?” é feita. Os juros permanecem positivos, porque são custo. Com isso passa a valer, literalmente, a identidade exibida no gráfico da cascata:
resultado nominal = resultado primário − juros nominais
O pipeline confere essa identidade mês a mês e interrompe o processamento se algum mês não fechar — o que indicaria que as três séries deixaram de medir o mesmo agregado na origem.
Percentual do PIB
Mesma fórmula usada na aba Estoque: o acumulado de doze meses do indicador dividido pelo PIB acumulado em doze meses do mesmo mês (série SGS 4382). Uma metodologia só no painel inteiro, para que os números das abas sejam comparáveis entre si.
As séries de percentual do PIB já prontas do Banco Central não são exibidas, porque usam PIB valorizado próprio e criariam duas definições de “% do PIB” no mesmo painel. Em vez disso, elas servem de aferição: o pipeline aplica a fórmula do painel à série do primário sem INSS (SGS 7853) e compara com a série oficial correspondente (SGS 7869), exigindo diferença menor que 0,1 ponto percentual. Na última execução, os 319 meses comparáveis passaram.
Defasagem entre as duas abas
O Resultado do Tesouro Nacional é publicado depois das estatísticas fiscais do Banco Central, então a aba Receitas e Despesas costuma estar um mês atrás da aba Resultado. Cada página exibe o seu próprio mês de referência; nenhum mês é estimado para igualar as duas.
Por que não há um gráfico ligando déficit e dívida
A ideia foi testada e descartada. O déficit nominal acumulado em doze meses e a variação do estoque da DPF andam juntos, mas a razão entre eles oscilou entre 0,70 e 1,43 nos últimos anos — perímetros diferentes, o colchão de liquidez do Tesouro (que emite acima ou abaixo da necessidade do ano) e as operações abaixo da linha descolam as duas séries. Um gráfico com as duas curvas sugeriria uma identidade que não existe, então a ligação é feita em texto.
Indicadores de cálculo próprio
Os itens abaixo não são publicados prontos pelo Tesouro. Foram derivados dos dados brutos e recebem o selo cálculo próprio no painel. Onde a metodologia difere da oficial, isso está dito.
Composição por indexador
O arquivo de estoque não traz o indexador. Ele é inferido do código do papel: LTN e NTN-F como juro fixo; LFT como Selic; NTN-B, NTN-B Principal e NTN-C como índice de preços; toda a dívida externa como câmbio; o restante (títulos da dívida agrária e contratos específicos) como “outros”, uma parcela abaixo de 1% do total. São os mesmos cinco grupos usados no Relatório Mensal da Dívida.
Dívida em percentual do PIB
O denominador é o PIB acumulado em 12 meses a preços correntes, série 4382 do sistema SGS do Banco Central — a única fonte deste painel que não vem do Tesouro Transparente. Usar o PIB de um único mês anualizado embutiria a sazonalidade daquele mês na razão; usar o PIB anual fechado daria um ponto por ano para uma linha que é mensal.
Atenção ao que este número é: a razão DPF/PIB. Ela não é a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que é o indicador citado no noticiário e nas comparações internacionais. A DBGG parte de outro perímetro — inclui, entre outros, a dívida em poder do Banco Central e as operações compromissadas — e por isso é bem maior. Os dois números medem coisas diferentes e não devem ser comparados entre si.
Prazo médio
Média do prazo até o vencimento final de cada título, ponderada pelo valor em aberto. O prazo médio oficial do Relatório Mensal usa o conceito de fluxo de caixa, que considera também os pagamentos intermediários de juros. Por isso os dois números não coincidem, e o daqui tende a ser mais alto para títulos com cupom.
Inflação implícita (breakeven)
Calculada mês a mês, no vértice de 5 anos. Dentro de cada mês, as taxas dos leilões de venda são agrupadas por prazo; a curva nominal (LTN e NTN-F) e a curva real (NTN-B) são interpoladas linearmente no vértice, e combinadas pela relação de Fisher:
inflação implícita = (1 + juro nominal) / (1 + juro real) − 1
A interpolação exige pontos dos dois lados do vértice; nunca há extrapolação. Nos meses sem par comparável, a linha do gráfico fica interrompida e a tabela mostra “sem par comparável”. O cálculo é mensal, e não por data de leilão, porque prefixados e NTN-B são leiloados em dias diferentes: das 2.188 datas com colocação, apenas 24 têm os dois tipos.
Custo médio do estoque
O Tesouro não publica esta série nos arquivos usados aqui. O proxy adotado parte dos juros apropriados do mês, do anexo de Fatores de Variação:
custo médio (mês) = (1 + juros apropriados ÷ estoque do mês anterior)¹² − 1 custo médio exibido = média móvel de 12 meses
O custo marginal, para comparação, é a taxa média dos leilões de venda ponderada pelo volume financeiro, excluída a LFT — cuja taxa de leilão é um ágio sobre a Selic, não um juro comparável. Também em média móvel de 12 meses, porque mês a mês as duas séries oscilam demais.
Taxa de colocação — e por que não há bid-to-cover
Os metadados oficiais dos leilões definem a coluna “Oferta” como a quantidade de títulos ofertados ao público no leilão — isto é, a oferta do Tesouro. A base não publica as propostas recebidas do mercado. Sem elas, o indicador bid-to-cover (demanda dividida pelo aceito) não pode ser calculado, e qualquer número apresentado como tal seria falso. O que o painel mostra é a taxa de colocação: quanto do ofertado foi efetivamente vendido.
Cenários: uma exceção declarada ao não-objetivo de projeções
Este painel foi construído sobre a regra de só mostrar dado oficial realizado, sem projeções. A aba Cenários é uma exceção deliberada e delimitada a essa regra, com três salvaguardas. Primeiro, é simulação, não previsão: o painel não publica cenário próprio nem número esperado, e toda trajetória exibida é a consequência aritmética de parâmetros que estão visíveis e editáveis na mesma tela. Segundo, os três cenários pré-carregados são exercícios ilustrativos, não recomendações — nenhum é apresentado como o mais provável, e o racional de cada um está abaixo. Terceiro, tudo que é derivado leva o selo de cálculo próprio, com as fórmulas nesta página. O histórico exibido continua sendo dado oficial: a exceção cobre apenas o trecho tracejado à direita da última observação.
Os três perímetros do painel
O painel mede o resultado fiscal em três recortes diferentes, e números de recortes diferentes não se somam nem se comparam linha a linha. Resultado usa o Governo Federal, como o Banco Central apura na NFSP. Receitas e Despesas usa o Governo Central — Tesouro, Previdência e Banco Central —, como o Tesouro apura no RTN. Cenários usa o Governo Geral, que acrescenta estados e municípios, porque é nesse recorte que a dívida em percentual do PIB é publicada.
Por que DBGG, e não a Dívida Pública Federal
A aba Cenários usa a Dívida Bruta do Governo Geral em percentual do PIB, e não o estoque da DPF em reais que a aba Estoque mostra, por três motivos: é a métrica em que a discussão de sustentabilidade é feita por governo, FMI, agências e imprensa; a dinâmica de juro contra crescimento só é bem definida sobre uma razão dívida/PIB, não sobre um estoque nominal; e o Banco Central publica a série pronta, mensal e longa, sem nada a derivar. As duas nunca aparecem no mesmo gráfico: perímetros e unidades diferentes num gráfico só sugeririam uma identidade que não existe.
As séries da dívida e a quebra de 2006
A DBGG vem de duas séries do SGS. A 4537 é a metodologia anterior, que inclui Petrobras e Eletrobras no perímetro; a 13762 é a metodologia vigente, oficial desde 2007. Ao contrário do que se costuma supor, a 4537 não foi descontinuada — o Banco Central segue publicando as duas em paralelo, e a distância entre elas hoje passa de treze pontos do PIB. O painel corta a 4537 em dezembro de 2006 e usa a 13762 dali em diante, deixando esse mês presente nas duas: é o único ponto em que as réguas se tocam, e é lá que o gráfico marca a quebra. O degrau de cerca de nove pontos é mudança de metodologia, não de dívida. As séries não são emendadas, encadeadas nem retropoladas — qualquer uma dessas operações produziria um número que o Banco Central nunca publicou.
A equação e os dois indicadores duais
Toda a aba deriva de uma recursão anual, em que d é a dívida em percentual do PIB, sp o resultado primário em percentual do PIB, i o juro real implícito e g o crescimento real:
d(t) = d(t−1) − sp(t) + [(i − g) / (1 + g)] · d(t−1)
Dela saem os dois indicadores de estabilização, que são inversos um do outro:
sp*(t) = [(i − g) / (1 + g)] · d(t−1)
g*(t) = (i · d(t−1) − sp) / (d(t−1) + sp)
O crescimento estabilizador é classificado como folga quando é negativo — até uma recessão manteria a dívida em queda — e como implausível acima de 3,5% ao ano, limiar escolhido porque nenhuma economia madura sustenta crescimento acima disso por uma década. Entre os dois, é tratado como plausível.
Resultado nominal e juros endógenos
Para fechar com o vocabulário das outras abas, a simulação também exibe juros e resultado nominal, com γ sendo o crescimento nominal do PIB e π a inflação:
γ(t) = (1 + g)(1 + π) − 1
i_nom(t) = (1 + i)(1 + π) − 1
juros_nom(t) = i_nom(t) · d(t−1) / (1 + γ(t))
resultado_nom(t) = sp(t) − juros_nom(t)
Os juros são endógenos: saem da dívida do ano anterior, nunca de um controle solto. É isso que faz o simulador exibir a causalidade que o painel ensina — primário melhora, dívida cai, conta de juros cai, e o nominal melhora mais do que o primário.
Os controles de rubrica trabalham em variação, não em nível
O bloco “Monte seu ajuste” parte das rubricas reais do RTN, que são do Governo Central, e aplica o resultado sobre uma dívida do Governo Geral. Os controles somam uma variação ao primário do cenário, constante do primeiro ano em diante, em vez de substituir o nível — é o que permite usar uma coisa sobre a outra sem fingir que os perímetros coincidem. O exercício supõe que o ajuste inteiro é feito no Governo Central, que responde pela quase totalidade do primário do governo geral, e que estados e municípios seguem o cenário base. Nenhum controle é travado, nem mesmo nas rubricas com piso constitucional: bloquear esconderia exatamente a aritmética que o bloco existe para mostrar, e a nota de rigidez aparece em texto quando o corte é arrastado.
Conversões para reais
A unidade canônica da aba é percentual do PIB; os valores em reais são visualizações derivadas. O PIB nominal é projetado a partir do acumulado de doze meses mais recente, composto ano a ano pelo γ do próprio cenário, e o valor em reais constantes desconta o π acumulado do mesmo cenário. Nenhum controle opera em reais: os controles são todos em percentual do PIB.
Os presets e o que eles não prometem
Os três cenários são conteúdo editorial, não fonte oficial, e seus parâmetros perpétuos são calibrados como pontos fixos exatos da equação — o primário perpétuo do Fiscalista é o estabilizador de 70% do PIB, e o do Ajuste Pontual é o de 86% —, o que é protegido por teste automatizado. O ponto de partida da simulação é sempre a última observação mensal da série vigente, que se move a cada divulgação do Banco Central; por isso os subtítulos dos cenários descrevem comportamento e nunca prometem um número, e todo valor exibido é recalculado. O cenário Expansionista não tem ponto de estabilização: os números do fim do horizonte mostram para onde a conta aponta sob parâmetros constantes, sem qualquer realimentação de comportamento — na realidade, um juro real fixo com dívida explodindo é hipótese generosa, e endogenizar o prêmio de risco ficou fora desta versão.
Tratamento de dados incompletos
- Leilões sem colocação. 4.521 das 19.709 linhas registram oferta sem venda. Elas permanecem na base e entram na taxa de colocação, mas são excluídas de qualquer média de taxa — incluí-las puxaria as médias para baixo com juros que ninguém pagou.
- Inconsistência da fonte em maio de 2007. No anexo de Emissões e Resgates, a emissão líquida publicada não coincide com emissões menos resgates do próprio anexo (R$ 6,56 bi contra R$ 6,29 bi). O painel mantém o valor oficial publicado e registra a divergência aqui, em vez de corrigi-la em silêncio.
- Nenhuma linha descartada. O processamento atual não descarta nenhum registro das fontes. Se passasse a descartar, o motivo e a contagem apareceriam no relatório de qualidade gerado a cada execução.
Licença e isenção
Os dados originais são publicados pelo Tesouro Nacional no portal Tesouro Transparente, sob a licença de dados abertos indicada em cada conjunto. Este painel é um trabalho independente, sem vínculo institucional com o Tesouro Nacional, e não constitui recomendação de investimento nem análise financeira. Em caso de divergência, prevalecem as publicações oficiais.