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Glossário

Os termos que aparecem no painel, em linguagem comum — com a razão pela qual cada um importa para quem paga impostos.

Dívida Pública FederalDPF
Tudo o que o governo federal deve a quem comprou seus títulos ou lhe emprestou dinheiro. Divide-se em interna (DPMFi) e externa (DPFe).
Por que importa: É o saldo devedor, não o gasto do ano. Quando o noticiário fala em "a dívida chegou a X trilhões", é deste número que se trata.
Dívida Pública Mobiliária Federal internaDPMFi
A parte da dívida emitida no Brasil, em reais, por meio de títulos públicos.
Por que importa: É a fatia esmagadoramente maior da dívida e a que passa pelos leilões semanais do Tesouro.
Dívida Pública Federal externaDPFe
A parte emitida no exterior ou contratada com organismos internacionais, em moeda estrangeira.
Por que importa: Quando o real se desvaloriza, o valor devido em reais cresce sem que o governo tenha tomado um centavo a mais.
Indexador
A regra que define como o valor de um título é corrigido: juro fixo, Selic, inflação ou câmbio.
Por que importa: Cada indexador transfere um risco diferente para o contribuinte. É a decisão mais consequente na gestão da dívida.
Prefixado
Título cujo juro é combinado no dia da emissão e não muda mais — LTN e NTN-F.
Por que importa: É o único caso em que o governo sabe hoje exatamente quanto pagará no vencimento.
Letra Financeira do TesouroLFT
Título que rende a taxa Selic acumulada no período.
Por que importa: É a maior fatia do estoque. Quando o Banco Central sobe os juros, o custo dessa parte da dívida sobe na hora, sem esperar vencimento.
Nota do Tesouro Nacional série BNTN-B
Título que paga a inflação medida pelo IPCA mais um juro real fixo.
Por que importa: A taxa que aparece nos leilões de NTN-B é o juro real — o ganho acima da inflação. Por isso é bem menor que a taxa de um prefixado.
Prazo médio
Quanto tempo, em média, falta para a dívida vencer, ponderado pelo valor de cada título.
Por que importa: Prazo curto obriga o governo a voltar ao mercado com frequência — inclusive em momentos ruins, quando o juro exigido é alto.
Rolagem
Emitir dívida nova para pagar a dívida que está vencendo.
Por que importa: É a operação de rotina de qualquer tesouro nacional. O risco não é rolar; é ter de rolar muito volume de uma vez, num momento de juro alto.
Leilão de títulos
Operação em que o Tesouro oferta títulos e recebe propostas de instituições financeiras, aceitando as que oferecem as melhores condições.
Por que importa: É onde o preço da dívida pública se forma. O juro aceito no leilão é o custo corrente do endividamento do país.
Taxa de corte
A taxa da última proposta aceita num leilão — a pior condição que o Tesouro topou.
Por que importa: Mostra até onde o Tesouro estava disposto a ir naquele dia para colocar seus títulos.
Taxa de colocação
A proporção entre o que foi efetivamente vendido e o que foi ofertado num leilão.
Por que importa: Colocação baixa em geral significa que o Tesouro recusou pagar o juro pedido pelo mercado, e não que ninguém apareceu.
Inflação implícita
A diferença entre o juro de um prefixado e o juro real de uma NTN-B de prazo semelhante. Também chamada de inflação de equilíbrio ou breakeven.
Por que importa: É a inflação que os compradores de título embutiram no preço. Não é previsão oficial de ninguém, e erra com frequência.
Juros apropriados
Os juros que se acumulam sobre a dívida existente a cada mês, mesmo sem nenhum título novo ser emitido.
Por que importa: É a parcela do crescimento da dívida que não vem de decisão de gastar mais — vem do custo do estoque que já estava lá.
Curva de juros
O juro exigido para cada prazo, num mesmo momento, desenhado da esquerda (curto) para a direita (longo).
Por que importa: O formato da curva resume o que o mercado espera dos juros à frente: subindo é o normal; plana ou invertida sinaliza expectativa de queda ou desconfiança de curto prazo.
Valores correntes
Valores no dinheiro da época, sem correção pela inflação.
Por que importa: Comparar 2007 com 2026 em valores correntes exagera o crescimento, porque parte dele é apenas inflação acumulada.
Resultado primário
A diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta no ano, sem contar os juros da dívida. Positivo é superávit; negativo, déficit.
Por que importa: Mede a política fiscal do próprio ano, isolada da herança de dívida. É sobre ele que a meta fiscal é fixada.
Juros nominais
O custo da dívida no período: os juros que correram sobre tudo o que o governo já devia.
Por que importa: É a conta do passado chegando no presente. Cresce com o tamanho da dívida e com a Selic, e independe do que o governo decidiu gastar neste ano.
Resultado nominal
O resultado primário depois de descontar os juros: o rombo total das contas do ano.
Por que importa: É o número que mais se aproxima de "quanto o governo precisou tomar emprestado". Um primário equilibrado ainda convive com um nominal negativo se a conta de juros for alta.
Necessidade de Financiamento do Setor PúblicoNFSP
A estatística do Banco Central que mede o resultado fiscal pela variação da dívida — a chamada apuração "abaixo da linha".
Por que importa: É publicada com o sinal invertido em relação ao senso comum: positivo significa déficit. Neste painel o sinal foi invertido para que positivo signifique superávit.
Acima da linha e abaixo da linha
Duas formas de chegar ao mesmo resultado. Acima da linha (Tesouro) soma receitas e subtrai despesas, uma a uma. Abaixo da linha (Banco Central) mede quanto a dívida variou.
Por que importa: Os dois caminhos deveriam dar o mesmo número e quase dão — a diferença que sobra é registrada como discrepância estatística.
Governo Central e Governo Federal
Dois recortes parecidos e não idênticos. Governo Central (Tesouro) reúne Tesouro Nacional, Previdência e Banco Central. Governo Federal é o recorte que o Banco Central usa nas estatísticas fiscais.
Por que importa: Os números dos dois circulam no noticiário como se fossem o mesmo. Neste painel, cada aba declara qual dos dois está usando, e eles nunca são somados entre si.
Receita líquida
O que sobra para a União depois de repassar a estados e municípios a parcela da arrecadação que a Constituição destina a eles.
Por que importa: É a receita que se compara com a despesa. Usar a receita total no lugar dela mostraria uma folga que nunca existiu, porque aquele dinheiro nunca foi da União.
Meta fiscal e arcabouço
A meta de resultado primário fixada em lei para o ano, hoje com uma banda de tolerância em torno do alvo, nos termos do arcabouço fiscal (LC nº 200/2023).
Por que importa: A meta pode ser alterada durante o próprio ano. Por isso o painel guarda a meta original e a revisada separadamente — "cumpriu a meta" significa coisas diferentes conforme a meta tenha se movido ou não.
Acumulado em 12 meses
A soma dos doze meses terminados naquele ponto, em vez do valor do mês isolado.
Por que importa: A arrecadação e o gasto têm calendário próprio: janeiro sempre sobra e dezembro sempre falta. O acumulado de doze meses anula esse efeito e deixa ver a tendência.
Dívida Bruta do Governo GeralDBGG
Tudo o que o governo geral — União, INSS, estados e municípios — deve, medido em percentual do PIB. É a métrica que aparece no noticiário como "a dívida do Brasil é de X% do PIB".
Por que importa: É a régua em que a discussão de sustentabilidade é feita por governo, FMI, agências de rating e imprensa. Não é o mesmo que a Dívida Pública Federal em reais que a aba Estoque mostra: o perímetro é mais largo e a unidade é outra.
Governo Geral
O perímetro mais largo usado no painel: União, INSS, estados e municípios. Exclui as empresas estatais e o Banco Central.
Por que importa: A dívida em percentual do PIB é apurada nesse recorte, enquanto o resultado fiscal das outras abas é apurado em recortes menores. Números de perímetros diferentes não se somam nem se comparam linha a linha.
Juro real implícito
O custo médio efetivo da dívida já existente, descontada a inflação: a conta de juros dividida pelo estoque, em termos reais.
Por que importa: É "implícito" porque não é uma taxa que alguém anuncia — sai da divisão. E é a taxa que importa para a trajetória da dívida: a Selic de hoje só afeta a parte da dívida que vence ou é indexada a ela.
r − g
A diferença entre o juro real que a dívida paga (r, ou i) e o crescimento real da economia (g). Quando é positiva, a dívida cresce sozinha em relação ao PIB, mesmo sem gasto novo.
Por que importa: É o termo que explica por que uma dívida grande sobe sem ninguém gastar mais: se o estoque rende mais do que a economia cresce, a razão dívida/PIB aumenta por aritmética pura.
Primário estabilizadorsp*
O superávit primário exato que mantém a dívida parada em percentual do PIB, dados o juro real, o crescimento e o tamanho da dívida.
Por que importa: Transforma "é preciso ajustar" num número verificável. Comparar o primário realizado com o estabilizador diz, em uma linha, se a dívida está a caminho de subir ou de cair.
Crescimento estabilizadorg*
O crescimento real do PIB que manteria a dívida parada, dado o primário que o governo de fato faz. É a outra face do primário estabilizador — as duas fórmulas são inversas.
Por que importa: Responde à pergunta "e se a gente simplesmente crescer mais?". Quando o número que sai é alto demais para qualquer economia madura sustentar, a resposta é que crescimento sozinho não resolve.
Simulação
O cálculo do que aconteceria se um conjunto de hipóteses declaradas se confirmasse. Não é previsão: previsão afirma o que vai acontecer, simulação afirma apenas o que decorre das hipóteses.
Por que importa: A aba Cenários é a única do painel que olha para frente, e ela só mostra aritmética condicional. Trocar uma hipótese na tela troca a trajetória — o que é a demonstração de que nada ali é uma aposta do painel.
Perpetuidade
No sentido usado na aba Cenários: os parâmetros que valem do quinto ano em diante, repetidos indefinidamente.
Por que importa: Evita a falsa precisão de estipular hipóteses ano a ano por trinta anos. O que se afirma é o regime de longo prazo, não um calendário.
Quebra metodológica
Uma mudança na forma de medir que faz o número saltar sem que a realidade tenha saltado. O painel mostra as duas séries lado a lado e marca a fronteira, em vez de emendá-las.
Por que importa: Emendar séries de metodologias diferentes produz uma história que nenhuma fonte publicou. O degrau de nove pontos na dívida no fim de 2006 é mudança de régua, não de dívida.